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domingo, 8 de dezembro de 2013

CASAMENTO E RELAÇÕES AMOROSAS - WALDEMAR MAGALDI

Olá pessoal!
Estou trazendo mais essa contribuição para enriquecer nossos debates mas, sobretudo, para propiciar informações valorosas do ponto de vista da psicologia que, certamente irão ajudar muitos dos nossos leitores e colaboradores. Boa leitura e boa sorte para todos.
Adriano Carlos Pinto


Apresentação


Waldemar Magaldi - Sou formado em Psicologia, especialista em Psicologia Junguiana, Psicossomática e Homeopatia. Mestre e Doutor em Ciências da Religião. Por ter atuado tanto no meio corporativo de empresas multinacionais quanto no comércio varejista, tenho vasta experiência nas demandas do mercado econômico. Atualmente, atendo clientes em meu consultório, faço palestras, coordeno e ministro aulas em cursos de especialização e publiquei o livro: " Dinheiro, saúde e sagrado".


CASAMENTO E RELAÇÕES AMOROSAS





Livro "Dinheiro, saúde e sagrado"

A leitura deste livro possibilita o entendimento da razão pela qual o ser humano contemporâneo deixou de trocar livremente e passou a acumular, muitas vezes, por meio de consumo do supérfluo, ficando à mercê de um mercado que pretende ser hegemônico, colocando inclusive o dinheiro como caminho de cura e salvação. E é a partir do cenário da monetarização da dádiva, cada vez mais estimulado pela economia do capitalismo selvagem, que estimula a competição, o acúmulo, a exclusão e o consumo do supérfluo que poderemos refletir porque que as pessoas vão ao Shopping para comprar o que não precisam, com o dinheiro que ainda não possuem, para impressionar quem não conhecem e parecer ser o que não são!
É por meio dos métodos da amplificação do conhecimento, advindos da psicologia analítica, e da integração dos saberes, que os conceitos são construídos, ficando compreensível as razões que levam aos apegos. Estes geram as necessidades de controle que, por sua vez, exige poder para “aprisionar” ou acumular o objeto de desejo, até que tragicamente, começam a surgir os sintomas de adoecimento nas instâncias materiais, biológicas, psicológicas, sociais e até mesmo espirituais, produzindo agressão e destruição, tanto no desejante quanto no desejado.
É a partir do homem contemporâneo que este livro de situa, objetivando ampliar o entendimento das relações que o dinheiro estabelece, consciente e/ou inconscientemente, com o sagrado, a saúde, a salvação e os outros tipos de demandas e fenômenos culturais tão presentes hoje nas questões existenciais da humanidade capitalista.
Isso porque, de forma mais evidente na sociedade ocidental, a cura e o sagrado se referem à busca de salvação. Portanto, este livro pretende contribuir para o entendimento de que o dinheiro é para o ser humano contemporâneo, uma fonte de inesgotável de energia e de transformação, além de esperar que ele sirva de estímulo para que os leitores também se interessem pelas implicações do dinheiro, possibilitando a busca de um mundo mais amoroso e integral.

PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O LIVRO: "DINHEIRO, SAÚDE E SAGRADO"


1 - O senhor diz que as pessoas compram o que não precisam, com dinheiro que não possuem para impressionar quem não conhecem. O que as leva a fazer isso? O que sugere que façam para mudar esse tipo de atitude?

Magaldi - Creio que as razões para essa situação são o medo e a falta de sentido existencial. As mudanças de atitude, a meu ver, dependem apenas do autoconhecimento. Só ele poderá nos dar a capacidade de sermos menos impulsivos para podermos refletir sobre o porquê e o para que de cada ato existencial. Só assim deixaremos de consumir o desnecessário, o descartável e o luxo, para nos sentirmos pertencentes às estruturas sociais.

2 - Qual a relação entre dinheiro, saúde e sagrado? Como conciliar esses três itens, aparentemente tão distintos?

Magaldi - Dinheiro, saúde e sagrado se interpenetram. Geralmente a falta de um acaba produzindo a perda ou o aumento dos outros. Em muitas situações notamos que a falta de saúde produz perda de dinheiro e aumento de sagrado. Em outras a falta do sagrado produz aumento do dinheiro e a perda da saúde. Ou, na maioria das vezes, a falta do dinheiro produz o aumento do sagrado e a perda da saúde. Obviamente isso não é uma regra, e esses movimentos acontecem de forma dinâmica e natural, sempre integrando as demandas humanas do bem, do belo e do verdadeiro, presentes nas religiões, nas artes e nas ciências, respectivamente. E, a melhor forma de conciliar essas demandas é por meio do uso consciente do dinheiro. Ou seja, transformar o dinheiro em um elemento facilitador tanto para o sagrado, e toda sua estrutura ética e moral, quanto para a saúde, não só do indivíduo, mas da sociedade e do meio ambiente.

3 - No início do livro "Dinheiro, Saúde e Sagrado" o senhor comenta que durante suas pesquisas percebeu que as pessoas superestimam o papel do dinheiro em suas vidas. Há algum meio de mudar a atual visão existente sobre o dinheiro?

Magaldi - Qualquer análise histórica e antropológica deixa evidente a capacidade adaptativa, criativa e transformadora da espécie humana, principalmente nas situações de crise onde a superação acaba produzindo evolução. Não por acaso que o ideograma chinês que representa a crise também represente a oportunidade. Esta capacidade, por um lado, possibilitou nossa realidade científica e tecnológica, inimaginável a menos de cinqüenta anos atrás, e acabou contribuindo para a monetarização da vida, da saúde e da dádiva. Por outro lado, está nos levando para uma nova crise com repercussão ecológica, social, cultural, física, psíquica e espiritual, manifestada na forma de sintomas ambientais, comportamentais, relacionais, psicossomáticos, psiquiátricos e religiosos. Por isso tantas catástrofes, fanatismos, dependências, abusos, compulsões, com consumo exagerado de remédios, divórcios, solidão, desigualdades, exclusão, entre outras patologias.
Como o dinheiro é apenas uma energia que pode ser direcionada para qualquer foco, facilmente poderá ser usado para reverter essa situação crítica e alarmante que está se afigurando para o nosso futuro. Porém, para que isso aconteça, é necessário que uma quantidade significativa de pessoas passe por uma mudança de paradigmas, libertando-se das duas rodas viciosas e assimétricas que mantêm a engrenagem do atual capitalismo utilitarista em movimento. A roda maior, que é representada pela maioria das pessoas, movimenta-se num contínuo circular entre consumo, dívidas e trabalho, enredando e, conseqüentemente, alienando os indivíduos nesta rotina repetitiva. A roda menor, por sua vez, é representada por um pequeno número de pessoas, que vem diminuindo gradativamente, igualmente aprisionando-as no continuum circular entre poder, lucro e acúmulo. Sendo que, no eixo central desta engrenagem está a tentativa iludida da negação do medo e da angústia, temáticas inerentes e imanentes em todos os seres humanos, associadas ao desejo de se sentir pertencente e engajado em algum grupo social.
Por causa da angústia somos invadidos pelos temores da solidão, do receio da morte, do medo da liberdade e da falta de sentido existencial. Para quem ainda não conquistou o autoconhecimento, esses medos produzem reações defensivas caracterizadas pela contínua "obrigação" de se sentir pertencente, necessário, importante, produtivo, rico, saudável, acumulando posses e muitos deleites. Essas "obrigações", por sua vez, são responsáveis por uma infinita quantidade de dependências, abusos e compulsões. Entre elas os desejos de poder, de acúmulo, de consumo, associados à busca de prazer imediato, que acabam dando um alívio transitório à angústia, apesar de alienar e manter as pessoas mais aprisionadas às rodas viciosas.
Todo indivíduo que conseguir sair das rodas, além de transgredir o sistema, poderá repensar o sentido e o significado da sua existência, enfrentando o medo, aliviando sua angústia existencial, diminuindo seu consumo, reaproveitando e reciclando tudo o que for possível. Atividades absolutamente necessárias para que o futuro da humanidade seja viável, apesar de deixar todas as atuais estruturas capitalistas absolutamente assustadas, pois todo planejamento delas está calcado na utopia do crescimento continuado e infinito. De qualquer modo, com ou sem sofrimento, acredito que a civilização irá encontrar um novo modelo que redistribuirá a riqueza de forma igual e includente, restaurando tanto a cura quanto sacralização e o encantamento do mundo. Ressaltando que cura é sinônimo de integridade e de consistência, ou seja, entusiasmo, sentido e significado existencial.

4 - O que é o sagrado de que o senhor fala?

Magaldi - Entendo que o ser humano é a resultante de um processo evolutivo que engloba o corpo, a alma, o espírito e a consciência - para os gregos: soma, psique, pneuma e nous, respectivamente. O corpo, por ser um composto mineral, é finito e passível de decomposição, equivale ao hardware do computador. A alma, ou psique, representa a totalidade das temáticas emocionais, influenciando na formação do caráter e no modo em que o indivíduo vai processar os vários tipos de afetos, ou estímulos existenciais, equivalendo ao software do computador. O espírito é a energia vital que mantém corpo e alma unidos, é um fragmento da expressão sagrada do uno presente em todas as formas existentes, equivalente a energia elétrica que mantém o computador ligado. E a consciência, por sua vez, é o que nos dá o sentimento de presença no presente, é a capacidade de tomada de conhecimento dos mundos externo e interior, do que somos, do que sabemos, do que não sabemos, onde estamos e para onde vamos, representada pelo usuário/programador do computador.
Somente pelo viés da consciência que podemos fazer modificações nas outras três dimensões. Então, é na jornada do autoconhecimento que iremos alcançar a integridade e o sentido existencial que nos aproximará do sagrado, o reconhecimento do todo e a necessidade de servir a esse todo. Por isso, o sagrado equivale ao numinoso, aquela instancia que é simultaneamente fascinante e tremenda, provocando desejos paradoxais entre atração e medo. Porém, na minha experiência clínica, essa instancia é a mais importante a ser trabalhada, pois poderá possibilitar a conquista perene da felicidade, mesmo quando as pessoas tenham que lidar com as experiências de alegria ou tristeza, naturais da vida. Neste sentido, compartilho com a afirmação dada por C. G. Jung, ao dizer que no âmago das queixas de seus clientes estavam as questões religiosas, no sentido de religare que é a re-ligação da consciência com a totalidade, tanto intra quanto extra psíquica, para que o indivíduo encontre o sentido e o significado da sua existência.

5 - Qual a importância da espiritualidade para o ser humano?

Magaldi - Infelizmente, a maioria dos nossos lideres são pessoas com grande capacidade intelectual, mas empobrecidos moralmente, justamente por faltar a eles a dimensão espiritual. É na dimensão espiritual que os sentimentos de amor e tolerância, associados à ética e ao respeito, a si mesmo e aos próximos, podem acontecer. Como valorizamos apenas a aparência do mundo horizontal, a vida interior do mundo vertical fica de lado e é por isso que vemos tantos escândalos, corrupções, egoísmos, exclusões e abusos.
Só um indivíduo espiritualizado terá serenidade e discernimento para lidar com as dificuldades, aceitando os fatos imutáveis e buscando a transformação dos mutáveis. Lembrando que ninguém transforma ninguém, mas ninguém se transforma sozinho.

6 - O senhor pertence a alguma corrente religiosa?

Magaldi - Atualmente, depois de tanto estudo e experiências em busca da "re-ligação" do eu com o inconsciente, pessoal e coletivo, cheguei à infeliz conclusão de que, a grande maioria das religiões éexotérica, ou seja, coloca o sagrado ou Deus numa dimensão exterior. Com isso, elas tentam ser uma espécie de "despachantes" que prestam o serviço de intermediar nossa relação com o sagrado, e acabam deixando de exercer a re-ligação - função fundamental que todas as religiões deveriam assumir. Então, para recebermos o serviço desta intermediação, devemos ficar acorrentados nos dogmas, mitos e ritos da religião exotérica escolhida ou "contratada", e deixamos de nos conhecer verdadeiramente. Por isso, acabei aderindo à idéia de que quando a humanidade conseguir perceber que Deus está em tudo e não pertence a nada, ela encontrará a verdadeira religiosidade e se libertará das religiões que só servem para a vaidade e enriquecimento dos seus lideres. Situação bem diferente nas poucas e pequenas tradiçõesesotéricas, que levam o indivíduo a reconhecer o sagrado e a divindade dentro dele, na sua imanência, para depois poder atingir a transcendência desejada.
De qualquer modo, mesmo as religiões exotéricas, possuem determinados conhecimentos que podem ser úteis para o processo de autoconhecimento. O problema é ficarmos fanatizados ou acorrentados a elas, que também fazem o uso abusivo dos sentimentos de medo, culpa e vergonha, para fidelizar seus fiéis adeptos.

Mais perguntas e respostas: http://www.waldemarmagaldi.com/index.php?sec=artigos&id=40&ref=perguntas-e-respostas-sobre-o-livro-


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Autor do Blog: adricarp@gmail.com